Na capital paulista, onde o subsolo varia dos argilitos da Bacia Sedimentar ao gnaisse do embasamento cristalino, a resistividade elétrica medida por SEV revela contrastes que o ensaio mecânico não capta. Já resolvemos casos em que a campanha de SPT indicava areia, mas a baixa resistividade denunciava argila orgânica saturada. Associar o SEV ao ensaio CPT permite cruzar perfis contínuos de condutividade com a resistência de ponta, refinando a interpretação de camadas. Na zona sul, por exemplo, o método evitou que uma estação de tratamento fosse assentada sobre solo colapsível não mapeado.
Valores de resistividade abaixo de 10 Ω·m em áreas de várzea paulistana indicam argila orgânica saturada — material que exige fundação profunda ou troca de solo.
Metodologia e escopo
A ABNT NBR 8044:1983 orienta ensaios geofísicos, mas o SEV em São Paulo ganhou protocolo próprio com o aumento de obras em aterros sanitários e áreas de várzea. O arranjo Schlumberger predomina por equilibrar profundidade de investigação (até 50 m) e resolução superficial. Em terrenos da Zona Leste, onde existem lixões antigos, a resistividade abaixo de 10 Ω·m indica contaminação por chorume. Complementamos a leitura com estabilidade de taludes quando o SEV detecta zonas de baixa resistividade em encostas, sinal de saturação crítica que pode deflagrar movimentos de massa.
Imagem técnica de referência — São Paulo
Considerações locais
O erro mais frequente em São Paulo é projetar fundações sem distinguir solo residual de solo transportado. O SEV mostra essa diferença: no Morumbi, onde o embasamento está próximo, a resistividade salta de 30 para 2000 Ω·m em 2 metros. Quem ignora esse contraste pode cravar estacas em matacão pensando ser rocha sã. Já em bairros como o Ipiranga, a alta resistividade superficial esconde camadas de argila mole a 8 m de profundidade, e sem o SEV o projetista assume solo firme desde a superfície. Resultado: recalques diferenciais que trincam estruturas.
Perfilagem vertical de resistividade até 50 m de profundidade, ideal para mapear contraste solo/rocha e detectar zonas saturadas.
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Caminhamento elétrico (tomografia 2D)
Imagem bidimensional da subsuperfície para identificar cavidades, fraturas ou plumas de contaminação em áreas extensas.
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SEV para aquíferos
Avaliação de potencial hídrico em poços tubulares, com interpretação de camadas aquíferas e estimativa de vazão.
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SEV + SPT integrado
Correlação direta entre perfis geofísicos e sondagens mecânicas, gerando modelo geotécnico validado por ambos os métodos.
Normas aplicáveis
ABNT NBR 8044:1983 – Prospecção geofísica, ABNT NBR – Método para resistividade elétrica do solo, ABNT NBR 6122:2019 – Projeto e execução de fundações
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre SEV e caminhamento elétrico em São Paulo?
O SEV mede a resistividade em profundidade num único ponto, ideal para avaliar o perfil vertical do solo. O caminhamento elétrico (tomografia 2D) gera uma seção contínua ao longo de uma linha, sendo mais indicado para mapear variações laterais, como contato solo/rocha ou plumas de contaminação. Em São Paulo, usamos o SEV para investigação pontual de fundações e o caminhamento para áreas extensas como loteamentos ou aterros.
Em quais regiões de São Paulo o SEV é mais crítico?
Nas zonas Sul e Leste, onde há várzeas do Rio Pinheiros e do Rio Tietê, o SEV é essencial para mapear espessura de argila orgânica saturada (resistividade < 15 Ω·m). Na zona Oeste, perto do Pico do Jaraguá, o contraste entre solo residual e rocha sã exige o método para evitar fundações superficiais em material colapsível. Já no Centro expandido, o SEV ajuda a localizar antigos cursos d'água enterrados sob o asfalto.
O SEV substitui a sondagem SPT?
Não. O SEV é complementar ao SPT: enquanto o SPT mede a resistência mecânica do solo a cada metro, o SEV fornece um perfil contínuo de resistividade que revela mudanças litológicas, teor de umidade e presença de contaminantes. Em São Paulo, a prática recomendada é executar o SEV primeiro para orientar a locação dos furos de SPT, reduzindo em até 40% o número de sondagens mecânicas necessárias.
Quanto custa um ensaio de SEV em São Paulo?
O valor referencial para um SEV com arranjo Schlumberger até 50 m de profundidade fica entre R$ 1.390 e R$ 2.880, dependendo do número de pontos e da acessibilidade do terreno. Caminhamentos elétricos com 48 eletrodos custam entre R$ 3.200 e R$ 6.500. Recomendamos solicitar orçamento com o número exato de pontos para cada projeto.
Localização e área de serviço
Atendemos projetos em São Paulo e sua zona metropolitana.