O equipamento de cravação do ensaio CPT chega ao terreno montado sobre um caminhão reboque de 20 toneladas, com sistema hidráulico capaz de aplicar 200 kN de reação. Em São Paulo, onde o subsolo alterna entre argilas porosas da bacia sedimentar e solos residuais de gnaisse, o cone elétrico registra a resistência de ponta e o atrito lateral a cada 2 cm de profundidade. Esse perfil contínuo permite identificar camadas de 10 cm de espessura, algo que o ensaio SPT não consegue. Para complementar a investigação, especialmente em terrenos com lajes de arenito, utilizamos a placa de carga para calibrar módulos de deformabilidade.
O ensaio CPT entrega um perfil de resistência contínuo, sem amostragem discreta, detectando lentes de areia fofa que o SPT convencional poderia perder.
Metodologia e escopo
A variação sazonal de umidade em São Paulo é um fator crítico para o ensaio CPT. Nos meses de verão, com chuvas intensas, a argila mole superficial perde resistência, e o cone pode atingir 15 m sem necessidade de pré-furo. No inverno seco, a mesma camada fica mais rígida e o atrito lateral aumenta. Nosso procedimento inclui a correção por poropressão (u2) para isolar o efeito da saturação. Em obras de contenção e taludes, os dados de CPT são usados para alimentar modelos de estabilidade; por isso, recomendamos associar o ensaio à estabilidade de taludes para projetos em encostas da Serra da Cantareira.
Imagem técnica de referência — São Paulo
Considerações locais
Um condomínio de 18 andares na Vila Mariana enfrentou recalques diferenciais porque o projeto considerou apenas dados de SPT, que não detectou uma lente de areia fofa a 12 m de profundidade. O ensaio CPT, com leitura contínua, teria identificado essa camada crítica. Em São Paulo, onde a geologia varia em dezenas de metros, usar apenas um método de investigação é um risco real. O CPT é a ferramenta certa para mapear descontinuidades e evitar surpresas na obra.
Ensaio com cone elétrico de 10 cm², medição de qc e fs a cada 2 cm. Indicado para perfis urbanos com camadas alternadas de argila e areia.
02
Piezocone (CPTu)
Adiciona sensor de poropressão (u2) para avaliar drenagem e comportamento de solos moles. Essencial para aterros e fundações em áreas como o bairro do Morumbi.
03
CPT com sísmica (SCPTu)
Inclui medição de ondas de cisalhamento (Vs) para classificação sísmica de sítios. Aplicado em projetos sujeitos a requisitos de amplificação sísmica.
Normas aplicáveis
ABNT NBR 12069:1991 – Ensaio de penetração de cone in situ, ABNT NBR 12069 – Standard Test Method for Electronic Friction Cone and Piezocone Penetration Testing of Soils, Eurocode 7 (EN 1997-2:2007) – Ground investigation and testing, ISSMGE – International Reference Test Procedure for CPT
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre o ensaio CPT e o SPT?
O CPT fornece um perfil contínuo de resistência (qc e fs) a cada 2 cm, enquanto o SPT amostra a cada metro. O CPT detecta lentes finas de solo fofo ou rijo que o SPT pode perder, mas não recupera amostras para ensaios de laboratório.
Em que tipo de solo de São Paulo o CPT é mais indicado?
É ideal para argilas moles da bacia sedimentar (como na região do Brás) e para solos residuais de gnaisse (zona sul). Em solos muito pedregosos ou com matacões, a cravação pode ser inviável.
Quanto custa um ensaio CPT em São Paulo?
O valor referencial para um furo de 15 m fica entre R$ 410 e R$ 680, dependendo do tipo de cone (elétrico, piezocone ou sísmico) e da logística de acesso ao terreno.
O CPT substitui o boletim de sondagem SPT exigido pela prefeitura?
Não. A legislação paulistana exige o SPT para aprovação de projetos. O CPT é complementar, agregando dados contínuos de resistência e poropressão, mas não substitui a amostragem do SPT.
Localização e área de serviço
Atendemos projetos em São Paulo e sua zona metropolitana.